A crise dos últimos anos adiou planos de aumento salarial da maioria dos profissionais, que acabaram ficando “satisfeitos” em manter seus empregos, muitas vezes aumentando sua carga de trabalho. O índice de insatisfação no emprego atingiu alarmantes 56% dos profissionais.

Diante desse cenário, menos de 3 em cada 10 profissionais tiveram a “coragem” de negociar seus salários. Mas 84% dos que pediram, conseguiram algo (seja um maior salário, ou melhores condições).

Muitos evitam essa negociação pelo receio de serem vistos como gananciosos ou de colocar em risco o emprego atual. Outro motivo é a visão de que, com a crise e o alto índice de desempregados, o poder está todo na mão da empresa. Certamente há vários profissionais de bom nível que aceitariam receber salários menores para retornar ao mercado, mas também há a dificuldade de “garimpar” os melhores talentos e encontrar o que melhor se encaixa na vaga oferecida – pesquisa recente apontou o Brasil como um dos países onde os gestores enfrentam maior dificuldade para encontrar profissionais qualificados. Impressionantes 99% dos gestores reportaram essa questão (76% afirmaram sentir “muita dificuldade”). A taxa de desemprego também precisa ser analisada com mais profundidade. Nos níveis de profissionais mais qualificados (com nível superior), ela cai para “apenas” 6,6% (metade do índice total).

Há também uma questão inconsciente que envolve a disposição do profissional para encarar a responsabilidade que acompanha o aumento salarial. Como a cobrança sobre o profissional cresce, muitas vezes é preciso se colocar numa situação desconfortável e desconhecida, que poucos estão realmente dispostos a encarar. Como diria Sun Tzu: “a vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço”.

A negociação salarial envolve 3 fatores principais:

  1. O profissional precisa verdadeiramente merecer
  2. O aumento precisa ser viável
  3. É preciso agir e convencer os tomadores de decisão

O 1º ponto (merecer) envolve: autoanálise, desempenho, resiliência, relacionamento interpessoal, conhecimento técnico e outras características necessárias para se destacar no ambiente profissional. É o ponto de partida para analisar se o aumento faz sentido. Caso não faça, é preciso trabalhar nesse ponto antes de qualquer tentativa.

O 2º (ser viável), determina que, por mais que mereça, seu pedido pode ser inviável para a empresa. Isso envolve: momento (talvez agora não seja factível, mas seria daqui a poucos meses) e flexibilidade (não seria possível atender o seu pedido da forma que foi feito, mas daria se fossem incluídas outras variáveis).

O 3º (convencer), abrange os movimentos para concretizar seu pedido. Como principais mencionaria:

– Pensar de forma colaborativa. A negociação é uma construção conjunta.

– Verificar pesquisas salariais (na internet), para utilizar argumentos objetivos (comparação com cargos similares em empresas do mesmo porte) e fugir de generalizações.

– Listar realizações e os benefícios que trouxeram para a empresa, demonstrando o quanto é possível repeti-los no futuro e como conseguiria ajudar outros membros da equipe a alcança-los também.

– Agendar formalmente a conversa, para evitar que o gestor seja surpreendido e diga “não” como sinal de defesa, por não ter refletido sobre o assunto.

– Evitar tratar apenas de valor financeiro nominal. Pensar de forma mais ampla no pacote total de remuneração e benefícios.

Para avançar na carreira e ser remunerado de forma justa, é preciso agir. O pedido é apenas a parte final do processo, que demanda merecimento, resultados consistentes, atitude, controle emocional, relacionamento interpessoal, engajamento, alinhamento e visão.